Profissional da 1ª turma de Engenharia de Pesca do Brasil concede entrevista ao Portal do CREA-AM

IMG_5037No dia 14 de dezembro é comemorado o dia do Engenheiro de Pesca e, nesta data, o Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Amazonas (CREA-AM) teve a oportunidade de entrevistar o Dr. Paulo Ramos Rolim, um dos pioneiros da área no Estado e no Brasil.

O primeiro curso de Engenharia de Pesca brasileiro foi criado pela Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFPRE), na cidade de Recife, tendo sua primeira turma colado grau no ano de 1974, com 42 alunos.

Paulo Ramos Rolim é da primeira turma de Engenharia de Pesca do país e foi o primeiro a vir trabalhar na Região Norte, no Estado do Amazonas, em maio de 1974. Pioneiro na extensão rural, junto com o também engenheiro de pesca Rigoberto Neide Pontes, a frente do planejamento, participou de diversos programas e projetos importantes, como a implantação do Terminal Pesqueiro de Manaus, reorganização e estruturação das colônias de pescadores do Estado e a implantação da aquicultura no Amazonas.

Em seus 41 anos de existência no Brasil, o curso de Engenharia de Pesca tem cooperado para o estudo dos assuntos pesqueiros e aquícolas com a formação de mestres, doutores e especialistas em diversas instituições de ensino, o que possibilita um aperfeiçoamento dos conhecimentos dos profissionais, inclusive, de outras áreas, como a Oceanografia, Limnologia, Biologia pesqueira, Aquicultura, captura e tecnologia de pescado.

Qual a importância dessa atividade?

Como uma atividade de produção de alimentos que é, a Engenharia de Pesca faz parte dos primeiros assuntos estudados no mundo, que são as ciências agrárias. É a área responsável pelo desenvolvimento sustentável da produção de pescado, seus produtos e subprodutos, e tem dado sua contribuição para a oferta de alimentos, no caso o pescado e seus derivados, em todas as regiões do Brasil, seja pela ação da captura, seja pela aquicultura, que é o cultivo de organismos aquáticos em geral, não apenas peixes.

Tendo sido parte da primeira turma dessa área formada no Brasil, como foi essa experiência? Quais os desafios naquela época para criar e formar uma turma de Engenharia de Pesca?

Toda turma teve que enfrentar diversos desafios e o primeiro deles foi a politicagem interna dos dirigentes da UFRPE. Era um grupo forte, interessado em acabar com o curso de Engenharia de Pesca, que havia sido criado na gestão passada pelo professor Adierso Erasmo de Azevedo, o então reitor.

Fomos à luta e éramos nós, da primeira turma, liderados pelo saudoso colega Raimundo Evangelista, que enfrentávamos as ameaças de extinção do curso. Foi-nos, inclusive, oferecida a oportunidade de ir para outros cursos. Mas, com muita coragem, não aceitamos.

Outra dificuldade era a alocação de professores, que acabou sendo suprida com contratação de profissionais da Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (Sudene), da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), do Laboratório de Ciências do Mar da UFPE, e até mesmo um professor temporário vindo do Uruguai. O curso só ficou estruturado depois da contratação dos professores japoneses Yoshito Motohashi e Joe Koike.

Posteriormente, com a formatura da primeira turma, é que a UFRPE abriu concurso público para contratação de professores. Participei e fui aprovado em primeiro lugar para a disciplina de Aquicultura, bem como outros colegas, como José Arlindo Pereira e Agildo Galdino, foram aprovados para outras disciplinas.

Nessa primeira turma, formou alguma mulher?

Sim. Formaram-se quatro mulheres na primeira turma.

Conte um pouco do trabalho realizado pelo Engenheiro de Pesca no Amazonas. Qual o principal desafio de se trabalhar num Estado com proporções continentais, dificuldades de logística e, ao mesmo tempo, com abundância de recursos naturais.

Sendo o Amazonas um estado “continental”, em 1975 as dificuldades eram grandes, mas o entusiasmo era maior e não tinha obstáculo que parasse os pioneiros. Havia dificuldades de comunicação, de transportes, de alocação de profissionais da área para trabalharem, mas a pujança do setor pesqueiro do Amazonas entusiasmava a todos que aqui chegavam, e foram muitos.

Atualmente já são mais de 5 mil piscicultores, quando não existia nenhum em 1975. Existem entidades de classe dos pescadores funcionando em todos os municípios do Estado, estações e postos de piscicultores em vários municípios, tanto públicos quanto particulares.

Tudo isso é muito importante para a Engenharia de Pesca, um dos melhores cursos do Brasil, e também para vários cursos técnicos na área de Recursos Pesqueiros.

Paulo Rolim e os engenheiros de pesca Evandro Menezes, Klausak, Larry, Marcos Cerqueira, Carminha e João Bosco Siqueira, em Manaus no ano de 1992.
Paulo Rolim e os engenheiros de pesca Evandro Menezes, Klausak, Larry, Marcos Cerqueira, Carminha e João Bosco Siqueira, em Manaus no ano de 1992.

Como o senhor visualiza a atividade no Estado do Amazonas em 2016?

Em 2016, a Engenharia de Pesca estará atuando prioritariamente em aquicultura, pois é a atividade agropecuária que mais cresce no Brasil e no Amazonas, e onde o Governo do Estado tem um programa de desenvolvimento para todos os municípios. Também haverá atuação no ensino, pesquisa e extensão e em frigoríficos de pescado.

Para finalizar, como fazer para acabar com o desperdício de pescado a cada ano no Amazonas? Em 2014, toneladas de peixe estragaram e foram parar no lixo. O que fazer?

O Estado do Amazonas é o maior produtor de pescado de água doce do Brasil, contribuindo com 12% de toda produção de pescado do país, mas, em contrapartida, apresenta um desperdício muito grande. Em tempos passados, estimava-se um desperdício de 30%, atualmente, entretanto, este percentual já foi reduzido.

Dentre os vários fatores que contribuem para o problema do desperdício de pescado, os principais são: o ato da despesca em si, o manuseio, a conservação a bordo e a distribuição e conservação nas feiras e mercados da capital.

Acredito que para minimizar esse problema o Governo Estadual deveria criar uma linha de financiamento específica para as reformas de todas as embarcações pesqueiras do Estado, implantando o sistema de urnas nas suas caixas de gelar, oferecer cursos específicos de higiene e manuseio de pescado no desembarque e no transporte. A prefeitura, mormente da capital, deveria reformar todas as feiras, adequando estruturas de conservação de pescado, câmaras frigoríficas, caixas de resfriamento e expositores de peixes.

Fonte: www. crea-am.org.br


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